Sarma: um amontoado de coisas sem harmonia

"Rock" e Filosofia(s)

Destaques:

Ninguém=Ninguém

o que essa canção dos Engenheiros tem a ver com Jonh Locke: confira...

Rock e Filosofia

clique e confira ... .

Hora do mergulho
(Humberto Gessinger)


Feche a porta, esqueça o barulho
Feche os olhos tome ar: é hora do mergulho
Eu sou moço, seu moço, e o poço não é tão fundo
Super-homem não supera superfície
Nós mortais viemos do fundo
Eu sou velho, meu velho, tão velho quanto o mundo
Eu quero paz:
Uma trégua do lilás-neon-Las Vegas
Profundidade: 20.000 léguas
"Se queres paz, te prepara para a guerra"
"Se não queres nada, descansa em paz"
"Luz" -pediu o poeta
últimas palavras lucidez completa
Depois: silêncio

Esqueça a luz... respire o fundo
Eu sou um déspota esclarecido
Nessa escura e profunda mediocracia

 

Depotismo Esclarecido na "Hora do Mergulho"

Marcos Carvalho Lopes
marcosclopes@gmail.com

“Hora do mergulho” é a primeira faixa do disco Simples de Coração dos Engenheiros do Hawaii. Esse é o primeiro disco sem a formação clássica da banda: Humberto Gessinger (baixo ), Augusto Licks (guitarra (que havia deixado a banda ) e Carlos Maltz (bateria ).

Nessa música Gessinger chama quem ouve para a “hora do mergulho”. Mergulhar aonde? Quem sabe um mergulho interior: cita de passagem o super-homem que não supera a superfície (o além do homem de Nietzsche ). Pede paz, trégua do neon-Las Vegas. trégua das luzes da mídia, da propaganda que brilha, como que contendo luz própria, e anunciando os cassinos do jogo de cartas marcadas do mercado: “ eles” ganham a corrida antes mesmo da largada”.

O caminho, a direção, é a profundidade de 20 000 léguas (submarinas ), uma referência ao fantástico de Júlio Verne que no século XIX previa coisas como a viagem do homem à lua (arremessado dentro de um projétil de um imenso canhão ).

Gessinger cita um “ditado” romano: “se queres paz te prepara para a guerra, se não queres nada descansa em paz”. É preciso sempre querer. Como o poeta Goethe que, segundo a lenda, na hora do morte pedia “Luz, mais luz”. Goethe se inscrevia dentro da tradição romântica, iluminista, que se propunha a espanhar/procurar a luz natural da razão (separando-a das trevas ). A morte do poeta traz o silêncio.

A música se aproxima do desfecho: Gessinger pede para que esqueçamos a luz, a idéia iluminista da razão, da ordenação, do método...respirar o fundo, de onde vêm os mortais, aponta para a valorização dos sentimentos humanos. Nesse contexto, Gessinger se auto-proclama um déspota esclarecido, no meio de uma “escura e profunda mediocracia”. Alguém que tenta manter o poder sobre o seu destino em meio aos que querem ser apenas iguais.

É uma inversão da posição dos déspotas esclarecidos do século XVIII, que para manterem seu poder centralizado adotaram medidas liberais/iluministas. Agora, ao contrário, Gessinger para manter o seu poder de decisão individual foge das idéias iluministas que querem todos iguais. Os do século XVIII eram déspotas porém esclarecidos, agora o ideal é ser esclarecido (já que não há como fugir da luz neon ), porém déspota (tentar lutar por alguma diferença, alguma paz ).

O coro de crianças que entoa um "lá-lá-lá" indeciso no começo da música e em seu fim mostra os ecos da mediocracia, da padroniozação: não é à toa que Gessinguer é fã do Pink Floid...

 

 

 

 

 

O poeta Goethe, o filósofo Nietzsche e o "nosso" Déspota Esclarecido Dom Pedro I .

 

O que diz Srama? | O que tem nesse site | Contato| ©2005