Sarma: um amontoado de coisas sem harmonia

"Rock" e Filosofia

Destaques:

Fato da Razão ante o Império do Direito e o Fim dos deveres

Uma reflexão sobre liberdade e responsabilidade hoje a partir do pensamento de Kant e Ortega y Gasset.

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Rolling Stones: (I Can't Get No) Satisfaction

I can't get no satisfaction,
I can't get no satisfaction.
'Cause I try and I try and I try and I try...
I can't get no, I can't get no...

When I'm drivin' in my car
and that man comes on the radio,
and he's tellin' me more and more about some useless

i nformation supposed to fire my imagination...
I can't get no, oh, no, no, no.
Hey, hey, hey, that's what I say...

I can't get no satisfaction,
I can't get no satisfaction.
'Cause I try and I try and I try and I try...
I can't get no, I can't get no...

When I'm watchin' my TV and that man comes on
to tell me how white my shirts can be.
Well he can't be a man 'cause he doesn't smoke
the same cigarrettes as me...
I can't get no, oh, no, no, no.
Hey hey hey, that's what I say...

I can't get no satisfaction,
I can't get no girl with action.
'Cause I try and I try and I try and I try...
I can't get no, I can't get no...

When I'm ridin' round the world and I'm doin' this
and I'm signing that and I'm tryin' to make some girl
who tells me baby better come back later next week,
'cause you see I'm on a losing streak.
I can't get no, oh, no, no, no.
Hey hey hey, that's what I say...

I can't get no, I can't get no,
I can't get no satisfaction, no satisfaction,
no satisfaction, no satisfaction...

Tradução:

Eu não consigo ter nenhuma satisfação,
Eu não consigo ter nenhuma satisfação.
Pois eu tento e eu tento e eu tento e eu tento...
Eu não consigo ter nenhuma, eu não consigo ter nenhuma...

Quando estou dirigindo no meu carro
e aquele cara aparece no rádio,
E ele está me falando mais e mais sobre alguma informação
inútil, que supõe-se incendiar minha imaginação...
Eu não consigo ter nenhuma, oh, não, não, não.
Hei, hei, hei, é isso o que eu digo...

Eu não consigo ter nenhuma satisfação,
Eu não consigo ter nenhuma satisfação.
Pois eu tento e eu tento e eu tento e eu tento...
Eu não consigo ter nenhuma, eu não consigo ter nenhuma...

Quando estou assistindo minha TV e aquele cara aparece
Para me dizer como podem ser brancas as minhas camisas.
Bem, ele não pode ser um homem pois ele não fuma
Os mesmo cigarros que eu...
Eu não consigo ter nenhuma, oh, não, não, não.
Hei, hei, hei, é isso o que eu digo...

Eu não consigo ter nenhuma satisfação,
Eu não consigo arranjar nenhuma garota de ação.
Pois eu tento e eu tento e eu tento e eu tento...
Eu não consigo ter nenhuma, eu não consigo ter nenhuma...

Quando estou viajando ao redor do mundo e estou fazendo isso
E estou assinando aquilo e estou tentando ganhar alguma guria
Que me diz baby, melhor voltar mais tarde na próxima semana,
Porque você sabe, estou numa maré de perdas.
Eu não consigo nenhuma, oh, não, não, não.
Hei, hei, hei, é isso que eu digo...

Eu não consigo ter nenhuma, eu não consigo ter nenhuma,
Eu não consigo ter nenhuma satisfação,
Nenhuma satisfação, nenhuma satisfação...

Sísifo: rolando pedras em um mundo de mercadorias

Marcos Carvalho Lopes 09/2004

Sísifo, na mitologia grega, teria sido punido, assim como Prometeu, por desafiar os deuses: teria ele preso Thanatos, a morte, fazendo com que, por algum tempo, os homens não morressem. Ares (deus da guerra ) libertou Thanatos e Zeus atribuiu a Sísifo, como punição final, a tarefa de empurrar eternamente uma pedra até o cume de uma montanha, de onde ela rolava obrigando o condenado a recomeçar a tarefa: o trabalho infrutífero foi a punição para quem tentou tornar imortal o homem. Seria a morte cotidiana de trabalhar sem esperanças e de maneira inútil.

De certa forma, a sociedade de consumo repõe o Mito de Sísifo, quando troca de lugar produto e produtor: o homem torna-se “escravo” das mercadorias, é como se elas o enfeitiçassem com seus poderes sobrenaturais (como aparecem nas propagandas ) o tornando submisso ao seu apelo. A mercadoria não aparece como algo que foi produzido por um homem: ela aparece com um preço. O preço iguala todos os produtos na qualidade de mercadoria, o trabalho também é visto como uma mercadoria, o homem também passa a ser visto como uma mercadoria, já que tudo/todos tem seu preço . As pessoas são transformadas em coisas, que podem ser usadas para determinado fim. Cria-se um mundo em que tudo e todos são objetos com um determinado valor em dinheiro.

As mercadorias começam a comandar: uma pessoa, com uma determinada roupa (de “grife”, cara), tem mais valor que outra. Comprar certos produtos é uma necessidade ( ele não pode ser um homem pois ele não fuma os mesmo cigarros que eu...” ). Repetindo um já usual dito: ser e ter  tornam-se sinônimos. no entanto, todo esse jogo, toda essa necessidade de comprar, acaba por mostrar-se vazia: você compra, conquista o que deseja, e daí?

E daí as pedras rolam, sem criar limo, e novamente, a pessoa esta insatisfeita e precisa de algo novo. Precisa trabalhar, juntar dinheiro, para ser melhor ! Só a mercadoria tem o “brilho da eternidade” e o homem tenta fugir da morte não percebendo a própria vida. Não percebendo que está inutilmente rolando pedras como um condenado e, que é por isso que não consegue ter nenhuma satisfação. De tanto rolar pedras o homem acaba Sísifo...

Marcos Carvalho Lopes

 

 

 

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